O Vivas Palavras está de volta! E neste ano, com um significado ainda mais especial. Além de ser o concurso anual de português que engloba alunos desde a quarta série e os motiva a escrever contos, crônicas e poemas, sem contar os desenhos que também ganham espaço no livro, 2026 marca os 20 anos do projeto. Duas décadas celebrando a escrita, a criatividade e a língua portuguesa.
O tema escolhido para este ano foi “celebrar e resistir”, e ele já está gerando conversas interessantes entre alunos e professores. Mas, afinal, o tema foi bem recebido? Ele trará textos mais positivos? Há espaço para criatividade?
Segundo o professor de Português e integrante do comitê organizador do Vivas Palavras, Breno Deffanti, a proposta nasceu de uma reflexão sobre os últimos anos. Ele explica: “A ideia é que nós possamos trazer uma outra perspectiva sobre a escrita, ao invés de escrevermos sobre aquilo que nos falta, ou que nos dói mais, como involuntariamente acabou ficando nos últimos anos.”
Ele também complementa: “A vida é a celebração das pequenas coisas que a gente conquista, e o fato de que nós tenhamos passado por momentos de tristeza, nós ainda continuamos aqui.”
Ou seja, sem negar a dor, a proposta deste ano é valorizar a superação e a alegria. Sem ignorar os obstáculos e desafios, mas reconhecer que a vida não é apenas sofrimento.
Mais adiante, o professor Lucius Provase destaca que os temas do Vivas Palavras costumam dialogar com grandes reflexões da literatura, sobre o mundo, a sociedade ou até mesmo o cotidiano. Para ele, o tema deste ano é interessante porque “dá para estimular os alunos a pensar de formas diferentes e ampliar suas perspectivas.” Ele observa que os textos dos anos anteriores tiveram um tom mais pesado, mas este ano o tema convida os alunos a encontrar espaços de celebração mesmo em meio à resistência.
Entre os alunos, as opiniões são diversas. Entrevistamos dois alunos por série desde o nono ano e observamos como diversos pontos intrigantes foram levantados.
No 12º ano, Valentina Lima considerou o tema muito apropriado para o momento atual, especialmente após a pandemia, quando passamos a enxergar o mundo de forma mais dividida. Para ela, “Celebrar e Resistir” é um tema positivo, mas desafiador de desenvolver no espaço limitado de um conto. Ainda assim, pode despertar criatividade justamente por ser amplo. Já Gabu Hruby, outro senior, observa que “resistir” e “celebrar” podem parecer ideias diferentes, mas juntas podem gerar textos originais. Ele alerta, porém, para o risco de clichês, pois, se o autor não se aprofundar, o texto pode ficar repetitivo, óbvio ou até superficial.
No 11º ano, o tema vem recebendo feedbacks muito positivos. Letícia Pimentel explicou como o tema permite trazer experiências pessoais e conhecimentos anteriores, quase como um espelho da própria vivência. Em uma escola internacional como a Graded, com tantas culturas diferentes, ela enxerga espaço para celebrar identidades e refletir sobre o passado. Na mesma série, Laura Juliano também considera o tema amplo e interessante, com potencial para textos mais alegres do que os do ano passado. Mas ela ressalta que, independentemente do tom, acredita que teremos produções incríveis.
No 10º ano, Dudu Gonçalves vê no tema uma chance de discutir aspectos políticos e sociais, comparando-o com anos passados, como FOMO, que geraram textos mais negativos dentro de uma proposta mais específica. Para ele, o tema atual é mais aberto. Laura Larangeira concorda, considerando-o positivo, versátil e propício a narrativas criativas.
No 9º ano, Nathan Pietatsky afirma que qualquer tema pode gerar histórias positivas ou negativas; tudo depende da forma como o autor constrói sua perspectiva. Por outro lado, Tarsila Lima aponta que o tema pode levar a mensagens repetitivas ou até a uma visão utópica da realidade. Ainda assim, ela reconhece que há espaço para criatividade, mesmo que nem todos escolham explorá-la completamente.
As entrevistas mostram ideias divididas e previsões interessantes. Mas o mais importante é que o tema abriu espaço para reflexão, debate e diferentes interpretações. No fim das contas, o objetivo do Vivas Palavras sempre foi estimular os alunos a usarem o pensamento crítico e a expressão pessoal.
Agora só nos resta aguardar para ver como cada um vai decidir celebrar e resistir.
Image: Graded website
