As we celebrate 25 years of the TALON, we are taking a journey through time. Over the next few months, we will share a series of articles from past editions, showcasing the voices, stories, and moments that have shaped our school community. These pieces give us a window into the past, letting us see how students experienced school life, world events, and culture in different eras, and maybe even recognize some familiar names along the way:
Não vou entrar na discussão do fator Olimpíada. Sim, deve ser muito legal ter uma aqui. É uma honra e blá blá blá. Mas será que vale a pena? País em que o Enem vaza, onde deputado tem castelo, em que há corrupção por todo lado. País com gente passando fome, com desemprego, desigualdade social, violência, tráfico controlando o Rio de Janeiro. País com gente morrendo nas portas dos péssimos hospitais públicos. E vamos torrar mais de 30 bilhões de reais na Olimpíada?
O Rio de Janeiro é, sim, a cidade brasileira mais apta para abrigar um evento desse porte. Isso não se discute. Mas vale a pena? A Olimpíada vai trazer melhorias para o Rio, talvez até para o Brasil todo. Mas há que se considerar que tais benefícios ainda são hipotéticos e, mesmo que ocorram de verdade, quem vai pagar essa conta?
Não discuto que o Rio deva tentar melhorar, mas problemas como os que listei acima teriam que ser resolvidos independentemente de Olimpíada ou Copa do Mundo. Um amigo disse outro dia: “O problema do Brasil é que só arrumam a sala quando está chegando visita.” Perfeito. E ainda acrescentaria que, para arrumar a sala, se gasta o dinheiro da reforma da casa inteira, que poderia ser mais bem aproveitado.
Usando a Copa como exemplo, alguém duvida de que todo o dinheiro sairá dos cofres públicos? Lembro de ter ouvido o Ricardo Teixeira dizer várias vezes que o governo federal não entraria com investimento nenhum. Sei. Já estamos vendo que não é bem assim.
Voltemos a 2007. Os Jogos Pan-Americanos. Toda aquela onda por uma Olimpíada de quinta, ou seria sexta, sétima categoria. É um gasto final que ultrapassa em 300% o orçamento original. Quem pagou por isso? Com que dinheiro? Com o nosso, é claro. Mas eu não quero mais pagar essas contas e, obviamente, continuar financiando safados por mais anos e anos. Tem gente que acredita em transparência. Quisera eu acreditar também. Parece que já estou vendo todo o dinheiro que sairá direto para contas bancárias indevidas. E enquanto uns roubam e constroem obras quase faraônicas, o povo fica à mercê da sorte.
Gastar dinheiro que podia ser investido nas reais prioridades da nação, em um monte de prédios que vão enferrujar meses depois do final dos jogos por falta de manutenção. Pan de novo. Já viram a situação da arena de beisebol construída em 2007? Parece terreno baldio. A ESPN até fez um documentário mostrando todo o descaso com a nossa grana. As únicas sedes remanescentes do Pan, que ainda funcionam e estão em boas condições, são o Engenhão, a de Tiro ao Alvo e um pedaço mínimo do Complexo Aquático. O resto está abandonado. E isso não acontece só por aqui. O imponente Ninho de Pássaro em Pequim não é mais utilizado. Em Atenas, só se usa um estádio de futebol. O que nos levaria a acreditar que seria diferente dessa vez?
O Brasil só liga para futebol. Os outros esportistas estão aí abandonados e sem apoio nenhum. E o pior é aguentar a demagogia no discurso. “Brasileiro é um povo que ama esportes.” Errado! O brasileiro gosta de futebol e só. Tem o vôlei, é verdade, em ascensão. O tênis, talvez. Mas 80% da população se importa apenas com o esporte bretão.
Veja nossos principais atletas individuais olímpicos. Quase todos treinam no exterior. Zero apoio aos atletas de outras modalidades. Um governo que não investe em infraestrutura nenhuma vai investir em esporte agora? Voltando ao ponto principal, o país definitivamente não está preparado. Não é à toa que nossos melhores atletas, à exceção de Maurren Maggi, Fabiana Murer e Cesar Cielo, são um zero à esquerda no cenário mundial e ainda se dopam para isso. Vamos ignorar as necessidades reais para fazer eventos esportivos?
Torço para que tudo dê certo, que façamos uma ótima Olimpíada com transparência e espírito esportivo. Torço para mantermos as prioridades nos seus devidos lugares. No entanto, fica aqui o meu profundo medo de essa Olimpíada significar menos feijão no prato de alguém esfomeado no agreste, falta de verba para a educação e mais dinheiro no bolso dos nossos queridos em Brasília.
Mas como “sou brasileiro e não desisto nunca”, fecho meus olhos e sigo a irônica ideia do senhor Lucas Logatti que lançou a campanha “Cuiabá para os Jogos de Inverno de 2018”. Eu acredito.
Ah, Renato Russo, você tinha toda a razão: “nas favelas, no Senado, sujeira para todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.”

